Conjuntura de 2010, parecida com a de 1998
As eleições 2010 para o Governo do Estado do Rio estão parecidas com as eleições de 1998.
Em 98, foram candidatos ao Governo Estadual: o vice-governador Luiz Paulo Côrrea da Rocha, pelo PSDB, que foi o candidato do então governador Marcello Alencar, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, pelo PFL e o ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Anthony Garotinho, na época pelo PDT.
Nesta eleição, estavam concorrendo ao Palácio do Planalto Lula e Fernando Henrique. FHC foi reeleito, no primeiro turno contra Lula. Existia uma nítida polarização nas eleições para os governos estaduais entre PT e PSDB-PFL (na época, coligados na chapa presidencial FHC-Marco Marciel).
No Rio de Janeiro, houve uma cisão na aliança nacional do PSDB com o PFL. Cesar Maia saiu candidato pelo PFL e Marcello Alencar lançou Luiz Paulo, seu vice, pelo PSDB. FHC ficou com dois palanques no Rio de Janeiro, o de Cesar e de Luiz Paulo.
Garotinho, tinha condições de crescer nas intenções de votos partindo do interior e da Baixada, e ciente disso, articulou junto ao PDT uma aliança com o PT, que indicaria o vice. Isso foi feito e seu vice do PT foi a então senadora Benedita da Silva, que tinha grande influência política na capital, permitindo-lhe ampliar seu percentual de votos na cidade do Rio de Janeiro. Na eleição presidencial o vice de Lula era o ex-governador Brizola e aliança PT-PDT se repetiu no Rio com a chapa Garotinho-Benedita.
Pronto, a polorização estava feita. De um lado, Garotinho e Benedita, com Lula e Brizola. Do outro, Cesar Maia e Luiz Paulo, dividindo o palanque com FHC.
Resultado: Cesar Maia ganhou na capital no primeiro turno e Garotinho no interior. Luiz Paulo do PSDB ficou em terceiro e fora do segundo turno.
Se o PSDB tivesse apoiado Cesar Maia em 1998, Garotinho não teria vencido
Se o PSDB tivesse apoiado Cesar Maia, que era o candidato favorito nas pesquisas, liderando a corrida por vários momentos, Garotinho não havia sido eleito governador. A ascensão política de Garotinho não teria acontecido.
Bom, mas isso não é o fator que nos leva a escrever esse post.
O que queremos trazer para 2010 é a semelhança com 1998.
Sérgio Cabral e Garotinho dividirão o palanque de Dilma
Hoje, o governador Sérgio Cabral disputa com Garotinho o palanque de Dilma Rousseff, o que significaria a atenção de Lula.
Ambos fazem parte de um grupo que em 2006 chegaram juntos ao Palácio Guanabara. Sérgio Cabral, sem o apoio do casal Garotinho, nunca teria sido eleito governador do Estado. Garotinho como candidato em 2010, além de lutar por sua eleição, é óbvio, fará de tudo para derrotar moralmente Cabral.
A mágoa do ex-governador contra Sérgio Cabral é nítida. Garotinho deixa isso claro. É lógico que sua mágoa fica camuflada em críticas, apontando as falhas de gestão do governador que são muitas, diga-se de passagem.
A imprensa nesses dias de carnaval publicou uma frase polêmica de Sérgio Cabral, em que o governador afirma que não aceita que Dilma divida o palanque com Garotinho, dando uma demonstração de ciúmes pela amizade de Dilma Rousseff com o ex-governador. Aliás, Dilma esteve no Rio em conversa reservada com Garotinho há poucas semanas.
Dilma já foi do PDT. Foi companheira de Garotinho de partido. Garotinho já disse que apoiará Dilma para presidente e o Planalto não abrirá mão desse apoio. Mas isso tem desagradado Cabral e criado alguns contrangimentos para o PT e Dilma.É aquela máxima: apoio não se rejeita. Se Garotinho quer apoiar Dilma, para o PT, o apoio é bem-vindo.
Candidatura de Gabeira enfraquece Sérgio Cabral na capital
Mas Sérgio Cabral sabe que com a candidatura de Fernando Gabeira pela aliança PV, PPS, PDSB e DEM, seu caminho para a reeleição ficará mais longo. Gabeira tira muitos votos de Cabral na capital. A candidatura de Gabeira hoje, praticamente cria um equilíbrio na eleição de governador.
O maior prejudicado com a candidatura de Gabeira, é Cabral. O maior prejudicado com o apoio de Garotinho ao PT, é Cabral.
As pesquisas de intenção de votos colocam o governador em primeiro lugar, mas o que se discute no meio político e nos bastidores da corrida ao Palácio Guanabara que isso é apenas efeito da maciça campanha publicitária que o Governo do Estado vem realizando há tempos. Conclusão: Ninguém está assustado com a frágil liderança de Cabral. Acredita-se que com o início da campanha eleitoral, o quadro será alterado e alcaçará um equilíbrio rapidamente em fatores reais.
A possibilidade de haver segundo turno hoje é uma das coisas mais certas. Todas as pesquisas depois da definição de Gabeira comprovam isso.
Quem ganha com a candidatura de Gabeira é Garotinho
Para Garotinho, a candidatura de Gabeira caiu do céu. Foi um presente. Gabeira e Cabral dividem um mesmo seguimento eleitoral na capital e classe política. Garotinho praticamente tem maior mobilidade no interior e na baixada. Já foi governador e sem querer comparar os governos, mas já comparando, ganha de lavada de Cabral em números de obras realizadas.
O que há de parecido com 1998?
Garotinho e Cabral dividirão o palanque de Dilma no primeiro turno. Nessa, Cabral leva desvantagem, pois Gabeira retira um percentual de potenciais eleitores seus. Exatamente como aconteceu entre o PSDB e PFL em 98. Dividir palanque é menos grave que dividir votos. Hoje, o único que não divide votos com ninguém, é Garotinho e isso é pior para Cabral, que é candidato à reeleição e está na defensiva, pois Garotinho já demonstrou que quer comparar os governos da sua família com o Governo Cabral.