Rio Eco Rural se encerra com propostas para produção de café, leite e frutas


{ Publicado a 15-05-2010 por Ambiente Noroeste }
Categorias : Notícias

Estabelecer medidas de incentivo e instalar campos de demonstração para desenvolver a cafeicultura no estado, assim como aumentar o suporte das pastagens e a produtividade das vacas em lactação para fomentar a cadeia de produção leiteira, foram algumas das propostas apresentadas durante o encerramento do II Congresso Rio Eco Rural, realizado pela Comissão de
Agricultura, Pecuária, Políticas Agrária, Rural e Pesqueira da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta sexta-feira (14/05), em Nova Friburgo, região Serrana do estado. A avaliação do presidente da comissão, deputado Rogério Cabral (PSB), é de que esta segunda edição do evento foi “tão benéfica aos produtores quanto a primeira”. “Faremos um relatório com todas as propostas trazidas e, baseados nelas, pensaremos a melhor forma de trabalhar por cada uma destas cadeias produtivas, seja através de leis ou do quê mais precisar”, destacou o parlamentar.

Rogério Cabral ressaltou ainda que a produção de leite já teve incentivos muito importantes e que será muito proveitosa para o setor a colaboração do Governo do estado no sentido de fortalecer as cooperativas. “Por mais que sejam iniciativas extremamente louváveis, é preciso continuar trabalhando pelos produtores de leite. Hoje, por exemplo, o litro de
leite é vendido por R$ 0,40 e a maior parte deste valor acaba ficando com os atravessadores”, frisou. Ex-secretário de Agricultura do Rio, o palestrante Alberto Figueiredo destacou a importância do leite na alimentação humana e disse que o Brasil, como o sexto maior produtor do mundo, com 26,1 bilhões de litros, está diretamente envolvido nesta questão. “Só no estado do Rio, a produção anual é de 475 milhões de litros, mas, ainda assim, ela é muito baixa. São 1.678 litros por vaca ao
ano e o desejável é que este valor chegue a 4 mil litros”, explicou.

A cafeicultura também foi debatida em palestra proferida pelo representante da Fundação Pró-Café, José Braz Matiello. De acordo com ele, 75% da atividade no Rio de Janeiro são praticadas pelos 1.300 pequenos produtores do estado. Entre os maiores problemas da cadeia produtiva do café foram destacados a baixa produtividade, os altos custos de produção, a necessidade de recuperação das lavouras e a dificuldade de mão-de-obra. “O Rio tem uma área muito apta ao café e um melhor suprimento de água que nossos vizinhos. Além disso, o café pode ser combinado com outras culturas. Para desenvolver o setor é necessário estruturar polos de desenvolvimento em diversas regiões de interesse para manutenção e ampliação nas áreas já tradicionais, além da implantação em novas áreas, assim como melhorar o suprimento de insumos regionalmente
para redução de custos”, frisou Mattielo.

Além do leite e do café, outro grupo alimentar constante na mesa dos brasileiros, as frutas, foi tema de palestra.  Pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos e presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio (Aearj), Sérgio Agostinho Cenci destacou que, em 1996, estudos apontavam para o potencial das regiões Norte e Noroeste
no que se refere à fruticultura e ressaltou que, em 2000, o projeto “Frutificar”, do Governo do estado, deu um grande passo na consolidação deste setor. “No Rio, com o apoio do projeto, houve um crescimento de 300% na produção de abacaxi, entre 2000 e 2006. O abacaxi, o coco, o maracujá, a goiaba e a manga tiveram suas áreas de produção expandidas.
Além disso, houve a introdução da produção de uva, citros, pêssego e banana na região Noroeste, grandemente afetada pela decadência da cultura do maracujá”, apontou. O Brasil, segundo o palestrante, representa 5% da produção mundial, 5% das áreas cultivadas e tem mais de 2,8 milhões de hectares em plantio, o que o coloca como o terceiro maior produtor de
frutas do mundo.

De acordo com Cenci, quase todos os problemas detectados na fruticultura são de ordem técnica e com soluções já conhecidas. “O efetivo problema parece estar no processo de transferência de tecnologia que passa pela capacitação dos agentes da cadeia produtiva, ou seja, produtores, técnicos e industriais. Cabe ao estado exercer seu papel de indutor do desenvolvimento sustentável, com políticas públicas de médio e longo prazo, para que os programas e projetos voltados para o setor tenham o
suporte técnico necessário. É preciso, por exemplo, entre outras ações, incentivar a instalação de Unidades Demonstrativas, que sirvam como padrões para a produção sustentável, em parceria com produtores rurais, prefeituras e indústrias, para sensibilização, treinamento, capacitação, fomento e desenvolvimento sustentável da fruticultura”, sugeriu.

Ainda no encerramento, as cadeias de olericultura (plantações de hortaliças em geral) e avicultura foram apresentadas pelo diretor da Associação dos Engenheiros Agrônomos, Leonel Rocha Lima, e pelo avicultor de São José do Vale do Rio Preto Nelson Pereira da Silva.

Marcela Maciel

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